Artigo da Dra. Patrícia Montagner, fundadora da WeCann, é destaque no Estadão

 

Em artigo publicado pelo jornal Estadão, a especialista em Neurocirurgia e fundadora da WeCann Academy, Dra. Patrícia Montagner, pontua que a falta de informação e um persistente estigma em relação à cannabis, com muita confusão entre uso medicinal e o uso recreativo, são hoje o principal empecilho para a popularização dos benefícios da Medicina Endocanabinoide no Brasil, comprovados na assistência de casos que vão desde doenças neuropsiquiátricas, problemas crônicos de pele até transtornos gastrointestinais.

Leia o texto na íntegra no site do Estadão ou abaixo:

 

É preciso desfazer a confusão entre uso medicinal e recreativo da maconha

 

A confusão entre uso medicinal e recreativo (ou uso adulto) da cannabis é um problema de saúde no Brasil. Apesar de termos avançado, ainda estamos longe de um ambiente maduro e saudável para as terapias com base em cannabis no país. E um dos principais obstáculos para progredirmos nessa questão é um persistente estigma, alimentado sobretudo pela percepção do brasileiro em relação à descriminalização do consumo de drogas.

Enquanto houver associação entre uma coisa e outra, pessoas portadoras de doenças crônicas, incapacitantes e refratárias ficam mais longe de alternativas terapêuticas comprovadamente seguras e eficazes contra sofrimentos frequentemente severos que estão enfrentando. Quem pode ser contra que o remédio chegue ao doente que precisa? Apenas quem não entendeu bem a questão, acredito. Por isso a necessidade urgente de esclarecimento.

Quando se trata de cannabis medicinal, o objetivo da discussão – inclusive quando aborda a legislação – é exclusivamente permitir que pacientes tenham acesso a medicamentos que contemplem elementos químicos presentes na planta. Nesse esforço, todas as reivindicações – até mesmo autorização para plantio, produção e comercialização de produtos à base de cannabis – servem exclusivamente para facilitar o acesso à saúde e ao bem-estar. Em momento algum serve como pretexto para qualquer finalidade que não seja de primeira necessidade e nem questões que envolvem a segurança pública. Basta observar o processo de fabricação e dispensação de outros medicamentos de potencial psicotrópico no Brasil.

É importante destacar que cada uma das aplicações da planta, a citar, medicinal, recreativa e industrial, exige entendimentos técnicos e regulatórios diferenciados. Não é recomendado, e nem se espera, que uma discussão influencie a outra. Por isso, também, não devem existir “atalhos” ou meios de um processo “empurrar” o outro. Na verdade, a experiência demonstra o contrário.

 

Em alguns países, a descriminalização do uso recreativo tem afetado negativamente o ecossistema de cannabis medicinal. O efeito previsível se explica pela maior parte da indústria se voltar para o mercado recreativo, muito maior e mais lucrativo, e deixar a saúde e as necessidades dos pacientes de lado, oferecendo fácil acesso a produtos pouco qualificados para uso medicinal.

Existem milhares de pessoas sofrendo devido à morosidade no processo de tornar as terapias e medicamentos à base de cannabis seguros, eficientes e acessíveis no Brasil. Principalmente, a comunidade médica. Mesmo os profissionais que não atuam diretamente na área, mas mantém seu compromisso com a ciência e com melhores resultados para os pacientes, precisam ser mais persuasivos para a necessidade de o país permitir que seus cidadãos tenham acesso a práticas comprovadamente seguras e eficazes contra uma série de doenças, muitas delas graves e incapacitantes.

Cannabis medicinal significa saúde, exatamente como o nome sugere. Trata-se de amenizar dores e melhorar a qualidade de vida de pessoas que não encontraram alívio nas terapêuticas habituais. Estimular novas e promissoras áreas da Medicina e contribuir com o bem-estar de milhares de famílias. Só é contra quem ainda não entendeu.

 

Patrícia Montagner, especialista em Neurocirurgia e fundadora da WeCann Academy, comunidade global e centro de estudos em Medicina Endocanabinoide

 

Fonte: Estadão

Data: 18 de agosto de 2021

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