Artigo da Dra. Patrícia Montagner, fundadora da WeCann, é destaque na Folha de S.Paulo

WeCann e Folha de São Paulo

 

Em artigo publicado pelo jornal Folha de S.Paulo, a especialista em Neurocirurgia e fundadora da WeCann Academy, Dra. Patrícia Montagner, pontua que a falta de informação e um persistente estigma em relação à cannabis, com muita confusão entre uso medicinal e o uso recreativo, são hoje o principal empecilho para a popularização dos benefícios da Medicina Endocanabinoide no Brasil, comprovados na assistência de casos que vão desde doenças neuropsiquiátricas, problemas crônicos de pele até transtornos gastrointestinais.

Leia o texto na íntegra no site da Folha ou abaixo:

 

Brasil precisa de educação para aproveitar o potencial da cannabis medicinal

A cannabis medicinal tem um enorme potencial terapêutico e a comunidade médica deve liderar a construção de um ambiente mais favorável para a utilização da planta no tratamento de várias doenças no Brasil. Os benefícios estão comprovados na assistência de casos que vão desde doenças neuropsiquiátricas, problemas crônicos de pele até transtornos gastrointestinais. Estudos ainda apontam bons resultados em diversas novas aplicações, inclusive como adjuvante anti-inflamatório em pacientes com Covid.

Observamos recentemente um avanço importante com a aprovação do Projeto de Lei 399/15, por uma comissão especial da Câmara dos Deputados, para legalização do cultivo e produção da planta cannabis para fins medicinais no país. A venda de medicamentos à base da planta já estava autorizada desde 2017, quando a ANVISA registrou o Mevatyl®, remédio composto de canabidiol e tetrahidrocanabinol (os dois principais elementos químicos da planta) para tratamento de espasmos associados à Esclerose Múltipla. São passos promissores, que demonstram que o Brasil segue na direção correta, mas ainda é necessário caminhar bastante para tornar os tratamentos à base de cannabis acessíveis, seguros e eficazes.    

A prioridade do momento deve ser a educação. A falta de informação e um persistente estigma em relação à cannabis, com muita confusão entre uso medicinal e o uso recreativo, são hoje o principal empecilho para a popularização dos benefícios da Medicina Endocanabinoide no Brasil. Nossa prioridade, hoje, é combater a ignorância em relação ao assunto.

Nesse sentido, a comunidade médica é a liderança natural, e correta, no esforço de esclarecimento da sociedade. Mas, para tomar à frente, precisa se preparar melhor para isso. Por enquanto, poucos profissionais dominam o tema no Brasil e o desconhecimento ainda é regra entre a classe. A maioria das instituições de ensino, por exemplo, ignora a existência do Sistema Endocanabinoide e a utilização da cannabis medicinal como ferramenta de modulação desse sistema, apesar de resultados científicos contundentes publicados há décadas. Uma omissão espantosa, mas o problema é ainda maior.

À falta de interesse, juntam-se abordagens equivocadas. Pontos de vista passionais e extremistas – que consideram a cannabis ou um remédio milagroso ou um veneno perigoso – muitas vezes dominam e contaminam o ambiente. Tão importante quanto estimular o debate é garantir o nível técnico e imparcial da discussão.

Além disso, chegamos ao estágio em que será criado um mercado de proporções bilionárias e a relevância econômica da área é cada dia maior. Mais um motivo, portanto, para a urgência em garantir um processo guiado pelo conhecimento científico e pela ética, que cumpra a finalidade maior de proteger e proporcionar o bem-estar aos pacientes.

É hora de estimular médicos e outros profissionais de saúde a estudar e se preparar. Temos que formar gente com capacidade técnica para consolidar a terapia Endocanabinoide no Brasil. Pessoas que vão desenvolver esse ecossistema, criar padrões, fomentar práticas e inserir produtos qualificados nas redes pública e privada de saúde, impedir retrocessos, esclarecer e beneficiar a sociedade. E, principalmente, profissionais que vão diagnosticar, prescrever, realizar tratamentos de potencial transformador na qualidade de vida de milhares de pacientes portadores de doenças graves, refratárias e incapacitantes.

Nós, médicos, temos sempre a obrigação de garantir aos nossos pacientes a melhor assistência disponível e incorporar a nossa prática médica, ferramentas terapêuticas comprovadamente seguras e eficazes. E hoje, diante da enxurrada de artigos científicos publicados na área e da robustez de resultados observados diariamente na vida de centenas de milhares de pacientes, está claro que a terapia endocanabinoide e a cannabis medicinal demonstram ser uma excelente alternativa.

 

Patrícia Montagner, especialista em Neurocirurgia e fundadora da WeCann Academy, comunidade global e centro de estudos em Medicina Endocanabinoide

 


Fonte: Folha de S.Paulo

Data: 3 de agosto de 2021

 

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