A Oleoiletanolamida (OEA), também referida como N-oleoiletanolamina ou oleiletanolamida, é uma molécula lipídica endógena pertencente à categoria das N-aciletanolaminas de cadeia longa, sendo classificada como um composto endocanabinoide-like (similar aos endocanabinoides) que integra a extensa rede de mediadores e sinalização celular conhecida como endocanabinoidoma. No organismo, a OEA atua como um mensageiro fisiológico que frequentemente compartilha vias biossintéticas e alvos com os endocanabinoides clássicos, tendo a sua degradação e inativação hidrolítica conduzidas de forma preferencial pela enzima amida hidrolase de ácidos graxos (FAAH)¹.
A principal característica biológica e funcional da OEA é o seu papel como reguladora mestre do metabolismo energético e do comportamento alimentar. Diferentemente da anandamida (AEA), que exerce ações orexígenas (estimulantes do apetite), a OEA atua com uma função anorexígena oposta, promovendo os sinais de saciedade e inibição da ingestão de alimentos a partir do trato gastrointestinal. Os seus níveis plasmáticos e intestinais respondem ativamente a fatores nutricionais e ambientais; por exemplo, estudos clínicos indicam que a manutenção de uma dieta mediterrânea a longo prazo é capaz de elevar as concentrações de OEA no plasma e otimizar a modulação do microbioma e a resistência insulínica¹.
Além do controle metabólico, a OEA apresenta expressivo potencial clínico em contextos patológicos sistêmicos. Constatou-se que os níveis plasmáticos de OEA se encontram aumentados em indivíduos portadores de Doença Inflamatória Intestinal (DII), indicando um possível papel regulatório frente ao estresse inflamatório. Como ferramenta terapêutica direta, ensaios clínicos demonstraram que a suplementação oral de 300 mg diários de OEA em pacientes com Acidente Vascular Cerebral (AVC) agudo reduziu o estresse oxidativo e o estado inflamatório, melhorando os parâmetros bioquímicos e a sobrevida global. A modulação de seus níveis endógenos também desponta como alvo investigativo no manejo de quadros musculoesqueléticos, a exemplo da sarcopenia¹.
¹ WECANN. Tratado de Medicina Endocanabinoide. Revisado em maio de 2024. p. 107, 108, 138, 446, 465, 493, 494, 498.