Canabinoides podem ser usados no tratamento da dependência química

canabinoides e dependência química

 

Um dos grandes desafios da Medicina no combate à dependência química é a refratariedade dos pacientes aos tratamentos convencionais. Recentemente, a ciência vem demonstrando o potencial dos canabinoides como uma opção terapêutica segura e eficaz para ser utilizada como adjuvante nesses quadros clínicos. Para saber mais a respeito, continue a leitura deste post e conheça as evidências científicas da relação entre canabinoides e dependência química.

 

Desafios prescritivos nos quadros de dependência química

De maneira geral, os tratamentos com canabinoides ainda são pouco usuais no cenário brasileiro. Em relação à dependência química, as medicações mais recorrentes são os antidepressivos, como a bupropiona e antidepressivos tricíclicos, e outros medicamentos que, paralelamente, também têm potencial para gerar dependência, como os benzodiazepínicos (a exemplo, diazepam e midazolam), estão presentes em algumas diretrizes nacionais para tratar dependência em cocaína, por exemplo.

A dependência de álcool, nicotina e opioides exemplifica outros quadros em que a refratariedade aos tratamentos convencionais – como aqueles à base de Dissulfiram, Naltrexone, Vareniclina e Clonidina – é bastante comum.

Vale lembrar que, para cada medicação, há indicações e contraindicações relacionadas ao histórico de cada paciente, sendo atribuição do médico assistente estar atento a essas questões. Mas, no geral, observa-se baixa eficácia, baixa tolerabilidade e e baixa aderência do arsenal terapêutico habitual para a dependência química.

Nesse sentido, os canabinoides surgem como uma alternativa interessante às medicações convencionais, porque aliam efeitos terapêuticos significativos e baixa ocorrência de efeitos adversos. As pesquisas em Cannabis medicinal nessa área, evidenciam esses resultados promissores especialmente a partir do uso de extratos predominantes em canabidiol (CBD), sobre os quais falaremos no próximo tópico.

 

Como os canabinoides podem ajudar no tratamento da dependência química?

Nas últimas décadas, diversos estudos científicos têm avaliado o potencial terapêutico de substâncias que atuam no Sistema Endocanabinoide para o manejo de muitas condições clínicas, entre elas a dependência química.

O canabidiol é uma dessas substâncias que vêm apresentando bons resultados na regulação e modulação de neurotransmissores como acetilcolina, adrenalina e noradrenalina, de modo a minimizar a dependência e demais sintomas relacionados ao abuso de álcool, nicotina e outras drogas.

 

Uso do CBD na dependência de álcool e opioides

Um experimento científico de 2018, publicado pela Society for the Study of Addiction, evidenciou que a administração de CBD em camundongos foi capaz de reduzir as propriedades de reforço, motivação e recaída para o uso de etanol, sugerindo o potencial desse canabinoide no tratamento da dependência de álcool.

Segundo esse estudo, doses baixas de CBD combinadas com a medicação Naltrexone foi mais eficaz do que o uso do Naltrexone sozinho na prevenção de recaídas entre os camundongos “dependentes de álcool”. Além disso, o CBD ajudou a minimizar os sintomas da síndrome de abstinência alcoólica e da quantidade diária de álcool  ingerido.

Outros estudos vêm ratificando esses achados positivos do uso de canabinoides no contexto de dependência alcoólica, como esta pesquisa que mostrou que a interação de substân ias canabinoides antagonistas do receptor CB1 leva a uma redução significativa no consumo de álcool.

Há também dados experimentais que relacionam o uso do CBD à redução de danos hepáticos e neurocognitivos em pacientes dependentes do álcool, independentemente da trajetória de consumo do indivíduo, como evidenciado nesta pesquisa publicada em 2016 na Revista  Neurotoxicity Research.

Em relação à dependência de opioides, o CBD tem se mostrado eficaz nos tratamentos não apenas por auxiliar no controle à dor crônica (principal motivo pelo qual as pessoas tornam-se dependentes ao uso de opioides) – reduzindo assim, as doses diárias necessárias de opioides – mas também, porque esse fitocanabinoide é capaz de amenizar os efeitos da abstinência em quem está em processo de desmame dessas medicações.

 

Uso do CBD na dependência de outras drogas

Já existem trabalhos científicos que sugerem o potencial do CBD no tratamento da dependência de outras drogas, como crack, cocaína e a própria maconha. Além de auxiliar no controle da “fissura”, esse canabinoide funciona como um valioso ansiolítico, reduzindo outros sintomas associados ao vício.

Ao interagir com o Sistema Endocanabinoide, que é um modulador vital dos neurotransmissores associados à dependência química, o canabidiol estimula a diminuição gradativa da vontade que o usuário tem de buscar as sensações de euforia decorrentes do consumo de drogas.

É o que mostra este artigo publicado em 2015, que traz uma revisão bibliográfica de estudos pré-clínicos os quais evidenciam as propriedades terapêuticas do CBD na dependência de cocaína e outros psicoestimulantes.

Ressaltamos também este estudo de caso de um paciente homem, de 27 anos, que apresentava diagnóstico de longa data de transtorno bipolar e dependência diária do uso de maconha. A administração do óleo de CBD forneceu benefícios ansiolíticos, estabeleceu um padrão regular de sono e evitou as recaídas desse paciente, mesmo com a diminuição gradativa da dosagem.

>>> Para saber mais sobre o estudo, leia o artigo Cannabidiol Oil for Decreasing Addictive Use of Marijuana: A Case Report, dos pesquisadores Scott Shannon e Janet Opila-Lehman, publicado na revista científica Integrative Medicine em dezembro de 2015.

Um dos maiores desafios na prescrição de derivados canabinoides para tratar a dependência química continua sendo encontrar uma formação adequada na área, que possibilite aos médicos incorporar essas novas ferramentas terapêuticas com segurança, eficácia e assertividade.

 

Nós podemos ajudar você nessa jornada! Entre em contato conosco e faça parte da nossa comunidade global de estudos em Medicina Endocanabinoide, que une de forma altamente qualificada, conhecimento científico e experiência prática.

 


Referências

Kleczkowska P, Smaga I, Filip M, Bujalska-Zadrozny M. Cannabinoid Ligands and Alcohol Addiction: A Promising Therapeutic Tool or a Humbug? Neurotox Res. 2016.

Prud’homme M, Cata R, Jutras-Aswad D. Cannabidiol as an Intervention for Addictive Behaviors: A Systematic Review of the Evidence. Subst Abuse. 2015.

Rodrigues LA, Caroba MES, Taba FK, Filev R, Gallassi AD. Evaluation of the potential use of cannabidiol in the treatment of cocaine use disorder: A systematic review. Pharmacol Biochem Behav. 2020.

Shannon S, Opila-Lehman J. Cannabidiol Oil for Decreasing Addictive Use of Marijuana: A Case Report. Integr Med (Encinitas). 2015.

Viudez-Martínez A, García-Gutiérrez MS, Navarrón CM, Morales-Calero MI, Navarrete F, Torres-Suárez AI, Manzanares J. Cannabidiol reduces ethanol consumption, motivation and relapse in mice. Addict Biol. 2018.

Zaleski et al. Diretrizes da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (ABEAD) para o diagnóstico e tratamento de comorbidades psiquiátricas e dependência de álcool e outras substâncias. Revista Brasileira de Psiquiatria. Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP, v. 28, n. 2, p. 142-148, 2006.

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