Transtorno do estresse pós-traumático (TEPT): descubra o potencial terapêutico da Cannabis

Cannabis e TEPT

 

Pessoas que vivenciaram situações muito traumáticas podem desenvolver um distúrbio de ansiedade denominado Transtorno do Estresse Pós-Traumático (TEPT). As reações podem ser físicas, psíquicas e emocionais, afetando diretamente o bem-estar e a qualidade de vida desses pacientes.

Estudos sobre Cannabis medicinal indicam que a relação entre Cannabis e TEPT pode ser bastante vantajosa do ponto de vista terapêutico, desde que se utilizem produtos qualificados e se utilize uma estratégia terapêutica contextualizada para cada paciente. Entenda mais detalhes a seguir.

 

Transtorno do estresse pós-traumático (TEPT): diagnóstico e tratamento

O Transtorno do Estresse Pós-traumático (TEPT) consiste em reações intensas e disfuncionais que se iniciam após um evento traumático, geralmente envolvendo situações de ameaça à própria vida ou à vida de terceiros. Alguns exemplos são casos de violência urbana – como assaltos e sequestros – abusos, acidentes e catástrofes naturais.

Embora os primeiros sintomas possam surgir logo após os episódios traumáticos, é comum que as pessoas só procurem ajuda médica depois de sofrer bastante tempo com sentimentos de medo, angústia e ansiedade. O tratamento convencional normalmente inclui a terapia cognitivo-comportamental e o uso de medicamentos ansiolíticos. No entanto, um número alto de pacientes são refratários a essas abordagens. De acordo com Koek e colaboradores (2016), um terço dos pacientes com TEPT não respondem aos tratamentos convencionais e entre 45 a 60% dos pacientes não se recuperam após anos de tratamento.  

 

Cannabis e TEPT: os derivados canabinoides podem ajudar no alívio dos sintomas?

Há alguns anos, pesquisas científicas vêm demonstrando o potencial terapêutico da Cannabis no alívio e combate dos sintomas do TEPT. Um estudo publicado em 2020 por especialistas da Universidade Estadual de Washington analisou um grupo de 400 pacientes com TEPT, todos usuários de Cannabis medicinal. O experimento trouxe os seguintes resultados a curto prazo:

  • 62% relataram redução dos pensamentos associados ao episódio traumático;
  • 62% relataram redução dos “flashbacks” associados ao episódio traumático;
  • 67% relataram diminuição dos quadros de irritabilidade;
  • 57% relataram diminuição dos quadros de ansiedade.

 

Cannabis e TEPT

 

Outra pesquisa publicada em 2020 trouxe evidências claras quanto aos benefícios da Cannabis no tratamento do TEPT. Trata-se do estudo conduzido por pesquisadores da Faculdade de Medicina Perelman, da Universidade da Pensilvânia, na Filadélfia, Estados Unidos.

A pesquisa avaliou a relação entre Cannabis e TEPT em dois grupos de pacientes diagnosticados com o transtorno, sendo o primeiro grupo tratado com a Cannabis Medicinal e o segundo grupo, controle, que não fez uso de Cannabis medicinal. 

Durante um ano de experimento, o grupo tratado com derivados canabinoides relatou maior grau de diminuição dos sintomas do TEPT, em comparação ao grupo que utilizou os medicamentos convencionais.

Além disso, os pacientes que aderiram à terapêutica canábica tiveram 2,6 vezes mais probabilidade de não atenderem mais aos critérios do TEPT previstos no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5). 

 

Extratos ricos em CBD ou THC?

Os fitocanabinoides ajudam a interromper o processo de consolidação das memórias traumáticas em pacientes com TEPT, como bem demonstrou esse trabalho  publicado em 2019 em uma revista científica britânica – e conduzida pelo Departamento de Farmacologia da Universidade Federal de Santa Catarina. Segundo esses pesquisadores, o CBD associado ao THC pode auxiliar no enfraquecimento das memórias traumáticas do TEPT.

O estudo de Elms e colaboradores (2019) avaliou os benefícios clínicos do uso do CBD para pacientes com TEPT. No total de 10 pacientes (91% da amostra) experimentaram uma diminuição na gravidade dos sintomas de TEPT, evidenciado por uma pontuação 28% mais baixa no Check list de TEPT para o DSM-5 (PCL-5) após oito semanas comparado à pontuação inicial. O CBD foi bem tolerado e nenhum paciente interrompeu o tratamento devido a efeitos colaterais.

O uso do THC no tratamento de TEPT também já foi avaliado em pesquisas clínicas. No estudo de Roitman e colaboradores (2014), foram observados efeitos adversos leves em três pacientes, nenhum dos quais levou à descontinuação do tratamento. A formulação oral de THC proporcionou uma melhora estatisticamente significativa na gravidade dos sintomas globais, qualidade do sono, frequência de pesadelos e sintomas de hiperexcitação comuns no TEPT. O THC administrado por via oral foi seguro e bem tolerado pelos pacientes.

 

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Referências

BONN-MILLER, Marcel; BRUNSTETTER, Megan; SIMONIAN, Alex; LOFLIN, Mallory J.; VANDREY, Ryan; BABSON, Kimberly A.; WORTZEL, Hal. O The Long-Term, Prospective, Therapeutic Impact of Cannabis on Post-Traumatic Stress Disorder. Cannabis and Cannabinoid Research, v. 5, 2020.

ELMS, Lucas et al. Cannabidiol in the treatment of post-traumatic stress disorder: a case series. The Journal of Alternative and Complementary Medicine, v. 25, n. 4, p. 392-397, 2019.

LAFRANCE, Emily M.; GLODOSKY, Nicholas C.; BONN-MILLER, Marcel; CUTTLER, Carrie. Short and Long-Term Effects of Cannabis on Symptoms of Post-Traumatic Stress Disorder. Journal of Affective Disorders, v. 274, Elsevier, 2020.

KOEK, Ralph J. et al. Treatment-refractory posttraumatic stress disorder (TRPTSD): a review and framework for the future. Progress in Neuro-Psychopharmacology and Biological Psychiatry, v. 70, p. 170-218, 2016.

RAYMUNDI, Ana Maria; SILVA, Thiago R.; ZAMPRONIO, Aleksander R.; GUIMARÃES, Francisco; BERTOGLIO, Leandro J.; STERN, Cristina A. J. O A time‐dependent contribution of hippocampal CB1, CB2 and PPARγ receptors to cannabidiol‐induced disruption of fear memory consolidation. British Journal of Pharmacology, v. 177, 2020.

ROITMAN, Pablo et al. Preliminary, open-label, pilot study of add-on oral Δ 9-tetrahydrocannabinol in chronic post-traumatic stress disorder. Clinical drug investigation, v. 34, n. 8, p. 587-591, 2014.

 

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