Conheça as três principais quimiovariantes da Cannabis

quimiovariantes da Cannabis

 

A planta do gênero Cannabis é originária da região da Eurásia, mais precisamente da Ásia Central, Norte da Índia e parte ocidental da China. A facilidade de adaptação da Cannabis em  diferentes altitudes, tipos de solo e zonas climáticas impulsionou sua ampla disseminação pelo mundo.

Ao contrário do que muita gente pensa, o maior potencial terapêutico da planta está na flor, e não nas folhas. É na flor que se encontram os principais compostos químicos de potencial terapêutico, os terpenos e canabinoides, como o CBD (canabidiol) e o THC (tetra-hidrocanabinol).

Neste post, falaremos sobre as principais quimiovariantes da Cannabis e o efeito comitiva (Entourage) que acontece quando se utiliza o extrato completo da planta para fins medicinais.

 

As principais quimiovariantes da Cannabis

Existem muitas discussões e controvérsias quanto à classificação e taxonomia das espécies que compõem o gênero Cannabis. Mas é consenso que a planta engloba três quimiovariantes principais. Veja quais são:

 

Quimiovariante tipo I 

  • Predominantemente ricas em THC;
  • Alto potencial sedativo e relaxante;
  • Maior potencial para alterações cognitivas e de humor;
  • Janela terapêutica mais estreita entre efeitos terapêuticos e efeitos adversos;
  • Baixo potencial para gerar dependência.

Quimiovariante tipo II 

  • Proporcionalmente ricas em THC e CBD;
  • Moderado potencial sedativo e relaxante;
  • Moderado potencial para alterações cognitivas e de humor;
  • Ampla janela terapêutica entre efeitos terapêuticos e potenciais efeitos adversos;
  • Baixíssimo potencial para gerar dependência.

Quimiovariante tipo III

  • Predominantemente ricas em CBD;
  • Praticamente não apresenta efeitos psicoativos;
  • Não apresenta risco de gerar dependência.

 

E quanto ao Hemp (cânhamo)?

Também conhecido como cânhamo, o Hemp não é exatamente uma espécie de Cannabis. Culturalmente, convencionou-se chamar de Hemp as variedades das plantas Cannabis que têm alta quantidade de fibras e baixo teor de THC. Essa nomenclatura se tornou uma convenção legal conforme a normatização de cada país.

Na Europa, considera-se Hemp a variedade de Cannabis que possui menos de 0,2% de THC em sua composição. Nos Estados Unidos esse índice é de 0,3%

O que é mais relevante no Hemp é seu enorme potencial industrial, sendo uma variante utilizada em larga escala na confecção de papel, tecido, corda, plástico e até tijolo para a construção civil.

 

O potencial terapêutico da Cannabis e o efeito Entourage

A Cannabis faz parte do grupo das angiospermas, plantas que apresentam flor e fruto. 

É nas flores que se encontra seu maior potencial terapêutico, na forma de fitocanabinoides e terpenos. É interessante salientar que, quando as plantas femininas são privadas da polinização, suas flores se tornam mais robustas, o que significa potencial terapêutico ainda mais elevado.

Vale lembrar também que os fitocanabinoides não são exclusivos da planta Cannabis. Outros vegetais, como algumas espécies de girassol, também são ricas em canabinoides. 

Embora o CBD e o THC sejam os canabinoides mais conhecidos das quimiovariantes da Cannabis, essas espécies reúnem mais de 500 compostos químicos, entre canabinoides e não-canabinoides, todos alvos de pesquisa por seu potencial terapêutico.

Os terpenos, que mencionamos acima, também compõem esse grupo de substâncias, sendo mais de 120 já descritos. 

Esses elementos são responsáveis pelo aroma das plantas, funcionando como um repelente natural. Em termos medicinais, representam um arsenal terapêutico vastíssimo, interagindo com os canabinoides para estimular diversos efeitos fisiológicos e terapêuticos.

 

Efeito Entourage

Um resultado otimizado na terapêutica canabinoide acontece justamente quando todos esses elementos são utilizados em conjunto. 

É o que chamamos de efeito Entourage, decorrente do uso do extrato completo da planta (canabinoides, terpenos, flavonoides, entre outras substâncias) e não apenas de partes isoladas.  

Esses compostos atuam em sinergia uns com os outros para potencializar os efeitos terapêuticos e também modular os potenciais efeitos adversos dos medicamentos à base de Cannabis. 

Um exemplo é esta pesquisa de 2018, que comparou um grupo de pacientes com epilepsia refratária grave que fazia uso de CBD isolado e um grupo de pacientes com o mesmo quadro que fazia uso do extrato de cannabis enriquecido com CBD.

Os resultados foram contundentes, demonstrando que, em média, são necessárias de 4 a 6 vezes mais doses de CBD isolado do que do extrato rico em CBD para alcançar os mesmos efeitos terapêuticos.

Como sabemos, quanto maior a dose de um medicamento, maior é a tendência de efeitos adversos. Por isso, devido ao efeito Entourage, prescrever o extrato completo da planta (produtos full spectrum) é mais eficaz e seguro do que prescrever compostos isolados.

 

Os fitocanabinoides CBD e THC

Embora o CBD seja mais utilizado na terapêutica canabinoide, é um erro desconsiderar o potencial terapêutico do THC, já que o THC apresenta propriedades únicas frente, inclusive,  ao CBD, no contexto da dor crônica, dor neuropática, demência, espasticidade e câncer.

Um exemplo é esta pesquisa de Evans & Balster que, já na década de 1990, reforçava a potência analgésica e antiinflamatória do THC. O estudo comprova que esse canabinoide é vinte vezes mais potente que a aspirina e duas vezes mais potente que a hidrocortisona.

Porém, em decorrência do seu potencial psicoativo, o THC ainda é motivo de receio na terapêutica canabinoide. No entanto, é essencial não confundir potencial psicoativo com potencial psicotóxico. Assim como o THC, o CBD também apresenta potencial psicoativo, apesar de não ter o potencial intoxicante do THC. 

Ou seja, o CBD, embora não apresente efeitos psicoativos potencialmente intoxicantes, é capaz de alterar o estado de consciência das pessoas, ocasionando sonolência, por exemplo, principalmente quando prescrito de forma isolada.

Um estado eufórico decorrente do uso medicinal de THC pode significar uma experiência transformadora para muitos pacientes que estão em estado de sofrimento profundo, físico ou psíquico. Esses efeitos incluem bom-humor, sensações de relaxamento, redução da ansiedade, facilidade de socialização e intensificação do prazer em atividades cotidianas, como alimentar-se ou escutar uma música.

Esses momentos euforizantes não têm relação alguma com psicotoxicidade. Um quadro psicotóxico decorrente de posologia inadequada de THC seria caracterizado por efeitos como agitação psicomotora, ansiedade generalizada e alterações visuais e auditivas.

Em termos práticos, as reações psicotóxicas do THC são raras quando a terapêutica canabinoide é feita de forma contextualizada e individualizada, conforme o histórico de cada paciente e o perfil do produto que está sendo prescrito.

Por isso é tão importante conhecer as principais quimiovariantes da Cannabis e compreender o potencial terapêutico dos canabinoides utilizados, aliando assertividade, segurança e eficácia nos tratamentos.

 

Se essas informações foram úteis para você, baixe este infográfico e saiba mais a respeito das quimiovariantes da Cannabis e das propriedades terapêuticas do CBD e THC.

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