Sistema Endocanabinoide no climatério: como os derivados canabinoides podem aliviar os sintomas

Sistema endocanabinoide e climatério

 

Enxaqueca, oscilação de humor, distúrbios do sono, ondas de calor, dores articulares e queda na libido são sintomas típicos do climatério. Um período frequentemente conturbado para as mulheres, sobretudo porque são escassos os recursos terapêuticos capazes de suprir toda  essa gama de sintomas.

Embora a reposição hormonal auxilie neste contexto, é cientificamente comprovado que esse tipo de tratamento não é recomendado para mulheres com histórico familiar e pessoal de câncer de mama e outros cânceres ginecológicos. A Cannabis Medicinal, por sua vez, vem demonstrando ser uma opção segura e eficaz no combate a diversos desconfortos associados ao climatério.

Neste post, falaremos da relação entre Sistema Endocanabinoide e climatério, ressaltando como os fitocanabinoides podem ser úteis no alívio dos sintomas e explicando também, qual a relação entre o SEC e os principais cânceres ginecológicos. Continue a leitura e acesse novas possibilidades na Medicina!

 

Fitocanabinoides no combate aos desconfortos do climatério

Os principais elementos do Sistema Endocanabinoide (SEC) estão presentes em todos os tecidos reprodutivos femininos, como ovários, trompas uterinas, endométrio e útero. Isso explica as vastas possibilidades de interação entre os fitocanabinoides e o SEC para modular sintomas característicos do climatério, como veremos a seguir.

 

Oscilações de humor

Irritabilidade, estresse e ansiedade são algumas oscilações de humor que comprometem muito a qualidade de vida das mulheres no climatério. Diversas pesquisas científicas sugerem que uma administração assertiva de CBD (canabidiol) e THC (tetrahidrocanabinol) é capaz de reduzir significativamente esses sintomas, produzindo efeitos ansiolíticos, que minimizam as respostas defensivas do organismo nos transtornos de humor.

>>> Confira  aqui o artigo The role of cannabis in treating anxiety: an update.

 

Dor crônica

O CBD e o THC são agentes promissores no combate à dor crônica frequentemente associada ao período do climatério, como as enxaquecas, as dores articulares e a fibromialgia

Para os quadros de enxaqueca e dores articulares, os estudos científicos sugerem que os principais fitocanabinoides CBD e THC têm um potencial relevante, inclusive como aliados importantes no desmame de opioides. É o que aponta esta revisão bibliográfica sobre o uso de canabinoides no combate às dores de cabeça, bem como, sua interação com os terpenos e flavonoides da planta para potencializar os efeitos terapêuticos.

>>> Leia aqui o estudo Medicinal Properties of Cannabinoids, Terpenes, and Flavonoids in Cannabis, and Benefits in Migraine, Headache, and Pain: An Update on Current Evidence and Cannabis Science.

Quanto à fibromialgia, as pesquisas científicas apontam que os efeitos terapêuticos promissores do THC neste quadro. Um estudo conduzido por pesquisadores brasileiros mostra que a administração de produtos de Cannabis ricos em THC para o alívio dos sintomas da fibromialgia proporcionou melhoras significativas nos seguintes critérios do Fibromyalgia Impact Questionnaire (FIQ): dor, sentir-se bem, trabalhar e sensação de fadiga.

>>> Confira aqui o estudo duplo-cego randomizado e controlado Ingestion of a THC-Rich Cannabis Oil in People with Fibromyalgia: A Randomized, Double-Blind, Placebo-Controlled Clinical Trial.

 

Distúrbios do sono

As ondas de calor do climatério são uma das principais causas dos distúrbios do sono associados a este período. Conforme apontam diversos estudos científicos, o THC apresenta potencial indutor do sono e  pode contribuir nesse contexto, respeitando-se sempre o histórico de cada paciente e a individualização de dosagem para cada caso.  

>>> Veja o artigo Cannabis, Cannabinoids, and Sleep: a Review of the Literature.

 

Relação entre Sistema Endocanabinoide, câncer de mama e outros cânceres ginecológicos

Vamos agora compreender algumas evidências que correlacionam Sistema Endocanabinoide e o risco de câncer no climatério.

 

Reposição hormonal e câncer de mama

Ainda que a reposição hormonal seja um tratamento amplamente utilizado no combate aos sintomas do climatério, há um bom tempo a ciência vem apontando os riscos que esse tratamento pode trazer às mulheres que apresentam uma predisposição genética ao câncer. 

Um exemplo é esta pesquisa desenvolvida por cientistas da Oxford University, que mostrou que a terapia de reposição hormonal eleva consideravelmente o risco de desenvolvimento do câncer de mama. Segundo o estudo, 1 a cada 50 adeptas da terapia hormonal iniciada aos 50 anos teria risco elevado de desenvolver o câncer de mama entre as idades de 50-69 após 5 anos de reposição.

>>> Leia aqui o artigo Type and timing of menopausal hormone therapy and breast cancer risk: individual participant meta-analysis of the worldwide epidemiological evidence

Ainda segundo esse estudo, abrangendo cerca de 108 mil mulheres que desenvolveram a doença, aquelas que faziam uso diário da combinação de estrogênio e progesterona por cinco anos (uma das terapias mais comuns de reposição hormonal) tiveram 8,3% de chance de desenvolver o câncer – enquanto o índice geral de desenvolvimento da doença é de 6,3%, considerando-se mulheres na terceira idade.

>>> Para saber mais sobre o estudo, leia o artigo Type and timing of menopausal hormone therapy and breast cancer risk, publicado na revista científica The Lancet em setembro de 2019.

A pesquisa mostrou ainda que o risco persiste mesmo em pacientes que abandonaram a reposição há mais de 10 anos. Esses dados sugerem o quanto é importante pensar em outras terapias, além da reposição hormonal, no combate aos sintomas do climatério. A Cannabis Medicinal pode representar uma relevante alternativa terapêutica diante deste contexto. 

 

Sistema Endocanabinoide e cânceres ginecológicos

Embora as causas exatas para alguns cânceres ginecológicos ainda sejam desconhecidas, alguns fatores exógenos (como a dieta alimentar) e endógenos (como a predisposição genética) explicam a ocorrência dessas doenças. Somente em 2018, cerca de 185 mil mulheres morreram de câncer de ovário, 311 mil de câncer de colo uterino, 15 mil de câncer vulvar e 8 mil de câncer vaginal.

A boa notícia é que as pesquisas científicas mais recentes vêm evidenciando a modulação do Sistema Endocanabinoide pode ser um fator crucial para o desenvolvimento de tratamentos mais eficazes contra os cânceres ginecológicos, considerando-se a predominância dos componentes do SEC em todos os tecidos reprodutivos femininos.

Os níveis séricos dos endocanabinoides e a expressão dos receptores endocanabinoides estão alterados nas pacientes portadoras de câncer ginecológico. A interação dos fitocanabinoides com o SEC, por sua vez, é capaz de modular uma série de aspectos que contribuem para essa desregulação funcional nesses tipos de cânceres, conforme evidenciado nesta recente pesquisa conduzida por cientistas europeus.

O estudo reúne experimentos in vitro relacionando o SEC e alguns tipos de câncer, como o de ovário, que apresenta a taxa de mortalidade mais elevada entre os cânceres ginecológicos. Nesse experimento, a administração de canabidiol foi capaz de reduzir de 1,35 a 1,50 vezes o tamanho de tumores derivados de SKOV-3, cultivados na membrana corioalantoide de ovos de galinha fertilizados.

Além disso, no experimento houve redução no número de células de câncer de ovário SKOV-3 in vitro para quase zero em um intervalo de 48 horas, o que sugere o potencial do CBD no tratamento de metástases peritoneais de câncer de ovário e possivelmente com menos efeitos adversos que os tratamentos convencionais.

>>> Para saber mais sobre o estudo, leia o artigo (Endo)Cannabinoids and Gynaecological Cancers, publicado na revista científica Cancers em dezembro de 2020.

Embora as pesquisas que correlacionam a modulação do SEC e os cânceres ginecológicos ainda careçam de resultados mais expressivos, a relação entre Sistema Endocanabinoide e climatério já é bastante significativa, com evidências científicas que apontam os benefícios da terapia canabinoide no manejo de diversos sintomas associados a este período tão conturbado na vida da mulher.

 

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Referências

Babson KA, Sottile J, Morabito D. Cannabis, Cannabinoids, and Sleep: a Review of the Literature. Curr Psychiatry Rep. 2017.

Baron EP. Medicinal Properties of Cannabinoids, Terpenes, and Flavonoids in Cannabis, and Benefits in Migraine, Headache, and Pain: An Update on Current Evidence and Cannabis Science. Headache. 2018.

Chaves C, Bittencourt PCT, Pelegrini A. Ingestion of a THC-Rich Cannabis Oil in People with Fibromyalgia: A Randomized, Double-Blind, Placebo-Controlled Clinical Trial. Pain Med. 2020.

Collaborative Group on Hormonal Factors in Breast Cancer. Type and timing of menopausal hormone therapy and breast cancer risk: individual participant meta-analysis of the worldwide epidemiological evidence. Lancet. 2019.

Taylor AH, Tortolani D, Ayakannu T, Konje JC, Maccarrone M. (Endo)Cannabinoids and Gynaecological Cancers. Cancers (Basel). 2020

Van Ameringen M, Zhang J, Patterson B, Turna J. The role of cannabis in treating anxiety: an update. Curr Opin Psychiatry. 2020.

 

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